Os olhos de Joana (parte 1)

E já era quase sete da manhã. E o café já estava quase frio. E tudo contrariava o ordinário. Já passava da hora de Joana sair para o trabalho, que, geralmente, era às seis e meia. O relógio já marcava seis e cinqüenta e cinco e ela ainda estava sentada, com a mão na colherinha, que nem se mexia mais dentro da xícara. O vapor quente do café já deixara de existir há muito e havia metade de uma bolacha no prato em sua frente. No rosto, a maquiagem borrada, os olhos inchados que já não paravam de expulsar lágrimas – embora já nem existissem mais lágrimas para serem choradas.

 

Joana tinha 21 anos de idade. Era uma bela moça, esguia, de longos cabelos cor de mel e olhos castanhos. Sua inteligência era o que mais chamava a atenção: Joana, com esta idade, já havia sido promovida quatro vezes na empresa em que trabalha e, mesmo sem ter terminado o segundo grau, era possuidora de uma inteligência sutil, mas ao mesmo tempo assustadora. Era perspicaz, ativa, atenciosa. Era, ainda, uma boa pessoa. Nas horas vagas, se dedicava a ajudar uma entidade de idosos. Ao chegar do interior, com 16 anos de idade, foi morar na casa de uma tia-avó distante, dona Célia, que dava moradia à menina em troca de sua ajuda nas tarefas domésticas. Joana começou a trabalhar aos 18 anos de idade em uma empresa de sabão. Inicialmente, era uma operária, daquelas que se perdem no meio da multidão vestida da mesma maneira, com touca na cabeça. Hoje já ocupa o cargo de sub-gerente.

 

Os olhos de Joana, com timidez, fitaram o Sr. Mário na primeira vez que os viram. Fitaram até mesmo com um pouco de medo: Mário era o filho do Sr. Jorge Gusmão, dono da fábrica, que viajara sem data prevista para voltar. Deixou, então, os negócios sob gestão de seu único filho varão, Mário, o homem mais bonito que Joana já havia visto, conforme descrição dada a sua tia Célia. Os olhos azuis, que contrastavam com a pele morena e o sorriso mais largo possível, possuíam uma profundidade que penetravam o mais oculto detalhe existente em sua alma.

 

– Então, você é a Joana do Nascimento? – perguntou, entre um sorriso esboçado e um olhar que analisava cada detalhe da moça.

 

– Sim.

 

– Eu sou Mário Gusmão e gostaria de dar-lhe boas vindas à fábrica de sabão J. S. Ltda. Gostaria, ainda, de informar-lhe que você passará por um período de testes que comprovarão se você encontra-se qualificada ou não para desempenhar uma função nesta empresa.

 

– Sim, senhor.

 

– Por enquanto, é só isso. Qualquer dúvida ou problema, não hesite em me procurar. A minha sala fica localizada no terceiro pavimento e o número é 315. Tenha uma boa tarde e, novamente, seja bem-vinda.

 

Virou os calcanhares e saiu. Joana enrubesceu. Não podia conter a taquicardia que lhe acometeu durante alguns segundos. Mas, logo, afastou qualquer pensamento que pudesse invadir sua mente. “Que idéia, Joana!”.

 

(continua…)

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~ por littlesisters em abril 13, 2008.

Uma resposta to “Os olhos de Joana (parte 1)”

  1. omiiiiiii pq parou no meio????? que me matar de curiosidade???

    DROGAAAAAAAA

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